Obesidade
Obesidade e disfunção erétil: impacto metabólico e vascular
Co-morbidades associadas ao ganho excessivo de peso podem ter impacto negativo na capacidade de obter e manter a ereção
A obesidade está diretamente associada ao risco de disfunção erétil.1 Estudos apontam que o risco de disfunção erétil aumenta 7,6% por kg/m2 acima do índice de massa corporal considerado normal para homens (entre 18,5 e 24,9).2
“A obesidade é um problema de saúde global e é consequência de diversos fatores. As causas podem ser endógenas, como uma predisposição genética, ter origem em hábitos alimentares e de vida, ou decorrer de questões psicológicas, que levam ao aumento da ingesta de alimentos. Pode levar, também, à disfunção erétil, seja pelo impacto psicológico, metabólico ou circulatório da doença", explica o urologista Bruno Benigno.
Um estudo com candidatos a cirurgia bariátrica apontou que 12% dos homens relataram ausência de desejo sexual, 25% declararam não ter relações sexuais, 54% estavam insatisfeitos com sua vida sexual e 44% consideraram que sua saúde física limitou a atividade sexual de alguma forma.3
“Os motivos para a disfunção erétil em pacientes obesos são heterogêneos. O urologista precisará identificar qual é o fator que está desencadeando essa condição. Por exemplo, se é um quadro de resistência à insulina, uma questão de auto-estima, sono de má qualidade, hipogonadismo hipogonadotrófico (falta de hormônios que estimulam os testículos ou ovários) ou aterosclerose, que leva ao acúmulo de placas nas artérias do pênis", enumera o urologista.
Um estudo para avaliar a função sexual de homens e mulheres com obesidade severa antes da cirurgia bariátrica constatou que aproximadamente metade das mulheres e homens entrevistados estavam insatisfeitos com suas vidas sexuais. Entre eles, ser mais velho, ter sintomas depressivos e utilizar antidepressivos foram fatores associado com função sexual piorada em ambos os sexos.3
Por outro lado, indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica reportam melhorias significativas de qualidade de vida, imagem corporal e comportamento sexual, entre outras áreas de funcionamento psicossocial, muitas vezes até mesmo antes de alcançarem a perda máxima de peso.4
Um estudo realizado com 7689 pacientes na França mostrou que 66% dos pacientes com hipertensão e ou diabetes reportaram disfunção erétil.5 Em pacientes com obesidade grave que ainda não passaram pela cirurgia bariátrica, idade avançada, gravidade dos sintomas depressivos e uso de medicamentos antidepressivos estão associados a uma pior função sexual.3 “Além disso, a disfunção erétil antecede de seis a sete anos o diagnóstico de doença cardiovascular. Por isso, é um marcador para o risco de infarto. O paciente obeso procura o urologista pela disfunção erétil, mas essa é só a ponta do iceberg. Ele precisa ser observado com uma atenção maior", pondera.
Melhora no peso, melhora na satisfação sexual
O tratamento da disfunção erétil associada à obesidade conta com abordagens múltiplas e graduais. “O primeiro passo é a mudança do estilo de vida e melhora do sono. Até 60% dos pacientes obesos se queixam da qualidade do sono. Depois, é preciso controlar as outras co-morbidades, como reduzir os níveis de açúcar no sangue, por exemplo. Aí passamos para drogas orais para favorecer a vasodilatação e outros tratamentos, como a terapia de onda de choque de baixa intensidade, a aplicação de drogas dentro do pênis, como Trimix e Alprostadil, fisioterapia e uso de bomba a vácuo. Em último caso, a solução é a prótese peniana”, enumera.
Quando se analisam o metabolismo e os aspectos fisiológicos, a redução do IMC pode trazer benefícios para a produção de testosterona, já que o efeito da massa gorda pode diminuir os níveis de testosterona.6
“É muito frequente que o paciente com obesidade que já procurou apoio psicológico, se engajou nas atividades físicas e mudou a dieta melhore dos sintomas da disfunção erétil de forma impressionante. Eu diria que de 50% a 60% dos meus pacientes relatam melhora na funcionalidade", conclui Benigno.
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